quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Hittin the road

Os poemas de sábado vão tirar duas semanas de férias (embora eu não).

Conexões/Interrogações

O II Conexões Itaú Cultural e o V Encontros de Interrogação ocorrem no Fórum de Ciência e Cultura da UFRJ (av Pasteur, 250, Urca), no Rio de Janeiro, dias 1 e 2 de dezembro. As atividades fazem parte do programa geral de literatura do Itaú Cultural e ocorrem ao mesmo tempo e no mesmo lugar para favorecer os contatos entre pesquisadores estrangeiros e escritores brasileiros (e entre seus pares).

A entrada é franca.

II Conexões Itaú Cultural - Programação

01.12 - terça-feira

9h30 - PESQUISAR A LITERATURA BRASILEIRA CONTEMPORÂNEA – PADECER NO PARAÍSO?

O mapeamento da literatura brasileira no exterior revela que a maioria dos entrevistados trabalha com literatura brasileira contemporânea, especialmente a publicada a partir dos anos 80. Esta mesa discute as dificuldades práticas – e teóricas – enfrentadas pelos estudiosos da produção literária brasileira recente. Com HORST NITSCHACK, Leonardo Tonus, MILTON HATOUM, PEDRO MEIRA MONTEIRO - Mediação Beatriz Resende

11h30 - TRADUZINDO O BRASIL – LIMITES E POSSIBILIDADES

Os tradutores desempenham um papel essencial na difusão da literatura brasileira no exterior. O contraste entre a dinâmica do mercado editorial e as políticas públicas de apoio à tradução marcam a discussão sobre as dificuldades e o apoio que deveria ser prestado a esse trabalho. Com CLIFF LANDERS, MOACYR SCLIAR, Pal FErÉnc, RODOLFO MATA - Mediação Felipe Lindoso

02.12 - quarta-feira

9h30 - DESCOBRINDO O BRASIL – REVISTAS LITERÁRIAS

As revistas literárias têm um papel importante no estado da literatura brasileira. Não apenas são o veículo onde os estudiosos apresentam em primeira mão seus trabalhos, como também publicam traduções e promovem o intercâmbio entre os próprios pesquisadores. Com CARLOS PAULO MARTINEZ PEREIRO, DARLENE SADLIER, LEILA LEHNEN, PEDRO SERRA - Mediação Claudiney ferreira

11h30 - AS LEITURAS DA LITERATURA BRASILEIRA NO EXTERIOR

A publicação da literatura brasileira no exterior envolve um conjunto de atores. Em primeiro lugar, os autores. Mas sem os agentes literários e os editores o trabalho não chega às mãos dos seus destinatários finais, os leitores. Como se percebe, se lê e se vende literatura brasileira no exterior? Com CARMEN CORRAL, Lucia Riff, LUIZ RUFFATO, ROBERTO VECCHI - Mediação João Almino

Encontros de Interrogação - Programação

01.12 - terça-feira

15h30 - Criação Poética e Ficção da Inspiração ou O “poeta fingidor” de Fernando Pessoa é um artífice que, como queria Valéry, “transforma o leitor em inspirado”?

Que resposta se pode dar hoje à antiga e, por sua recorrência, sempre atual questão sobre a gênese do trabalho poético? Valores antagônicos como inspiração e labor textual podem ser estratégias que atendem às expectativas da crítica e dos leitores? Ao se expor em saraus e festas literárias, o poeta busca adicionar um valor testemunhal ao seu trabalho? com Frederico Barbosa, Marco Lucchesi e Micheliny Verunshk - mediador Wilberth Salgueiro

17h30 - Criação e Crítica Literária ou Existe literatura sem reflexão sobre os processos criativos consagrados pela tradição e pela tradição da ruptura?

O escritor contemporâneo cria pensando em sua inserção nos recortes desenhados pela crítica? Organizar antologias, escrever atendendo a parâmetros acadêmicos e publicar originais em revistas de criação e crítica seria uma forma de “controle da recepção” – e, no caso de escritores-críticos, de reivindicar modos de leitura de sua própria produção? com Altair Martins, Heloisa Buarque de Holanda e Ítalo Moriconi - mediação Claudia Nina

19h30 - Criação e Confissão ou Como a ficção transtorna a noção de documento, de registro biográfico e da própria história da literatura?

Em que momento o caráter memorialístico de contos e romances se transforma em imaginação? Existe ficção pura, sem enraizamento na história pessoal? E como esse enraizamento coincide com o enraizamento na história literária e suas rubricas (literatura gay, ficção pós-moderna, regionalismo, memorialismo)? Com Arnaldo Bloch, Ronaldo Correia de Brito e Silviano Santiago - Mediação Beatriz Resende

02.12 - quarta-feira

15h30 - Criação e Narrativa ou Como o enredo ficcional parte da experiência pessoal sem deixar de se afirmar como ficção?

O escritor decanta sua experiência na literatura ou escreve contra ela, num esforço de esquecimento que faz o triunfo da ficção? A vida dos outros e as vivências individuais determinam a invenção? O escritor “escolhe” acasos e percalços (pessoais, profissionais) que dêem lastro à ficção, que confiram ao texto a autoridade do vivido? Com Adriana Lisboa, Marçal Aquino e Michel Laub - Mediação Flávio Carneiro

17h30 - Criação e Edição ou A intervenção do editor sobre o manuscrito altera o estatuto do autor?

Como o editor edita? Os escritores modificam seus originais a partir do olhar crítico de seus editores? Que critérios (literários, mercadológicos) determinam tais intervenções? Existe paralelo entre o editor de livros e a figura, cada vez mais influente (e midiática), do curador de artes visuais? com Eduardo Coelho, Nelson de Oliveira e Paulo Roberto Pires - mediação Manuel da Costa Pinto

19h30 - Criação, Leitura e Autoria ou Como o escritor identifica tendências e problemas com as quais sintoniza sua literatura?

O escritor leva em conta a existência de questões e gêneros que estão na ordem do dia? Ao flertar com a literatura confessional ou com a literatura policial, o escritor aceita as regras do jogo ou as usa para burlar a expectativa do leitor? A opção por um gênero dilui a responsabilidade autoral ou desafia sua singularidade? com Cristovão Tezza, Ana Paula Maia e Ferréz - mediação Manuel da Costa Pinto

terça-feira, 17 de novembro de 2009

A tirania do e-mail

Na lista.

Já falei deste livro aqui, em algum momento. John Freeman é o editor da revista Granta. E a luta contra a vida virtual é um projeto pessoal meu, no qual ando bem empenhada: deletei a minha conta no Twitter depois de um mês de uso. Não tenho Orkut nem Facebook. Semana passada enterrei meu outro blog, O errante navegante, que tratava de direitos animais e ecologia - primeiro porque não dava conta, segundo porque há milhares de outros muito mais interessantes sobre o tema, para quem estiver curioso. Alguns deles listo aí do lado.

Na resenha de The Tyranny of E-mail para o Denver Post, Dylan Foley escreve:

"One day, I went out for coffee with my friend, the novelist Whitney Terrell," said Freeman in an interview in New York City. "I came back after 45 minutes and there were 75 new messages. I had this moment when I realized that society is not biologically, cognitively or emotionally able to deal with this. We are trying to keep up with a machine. Technology is supposed to make it easier to communicate, but e-mail increases our isolation."

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Clarice na cabeceira


Clique na imagem para ler melhor. O livro, organizado por Teresa Monteiro, é uma seleção de contos da Clarice pelas pessoas listadas na capa, com comentários de cada um sobre o conto que escolheu.


sábado, 14 de novembro de 2009

Poesia sábado: Ferreira Gullar

CANTADA

Você é mais bonita que uma bola prateada
de papel de cigarro
Você é mais bonita que uma poça dágua
límpida
num lugar escondido
Você é mais bonita que uma zebra
que um filhote de onça
que um Boeing 707 em pleno ar
Você é mais bonita que um jardim florido
em frente ao mar em Ipanema
Você é mais bonita que uma refinaria da Petrobrás
de noite
mais bonita que Ursula Andress
que o Palácio da Alvorada
mais bonita que a alvorada
que o mar azul-safira
da República Dominicana

Olha,
você é tão bonita quanto o Rio de Janeiro
em maio
e quase tão bonita

quanto a Revolução Cubana

*

De Dentro da noite veloz


sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Eduardo Halfon


Prêmio José María de Pereda!

Como informa o Moleskine de Iván Thays: El escritor guatemalteco Eduardo Halfon ha ganado el Premio de Novela Corta José María de Pereda, dotado con 30.000 euros, con la obra "La pirueta", en la que relata el viaje que emprende un hombre desde su Guatemala natal hasta Serbia tras el rastro de un amigo.

Queremos tanto a Edu. Foto: Daniel Mordzinski (por supuesto).


terça-feira, 10 de novembro de 2009

In White

Sai em abril, pela University of Texas Tech Press - The Americas series, a coleção que inclui David Toscana e incluirá Moacyr Scliar e Cristovão Tezza.

sábado, 7 de novembro de 2009

Eating Animals

O novo livro de Jonathan Safran Foer, Eating Animals, que mereceu um longo artigo na última New Yorker, é uma obra de não-ficção e fala de colocar ou não animais no prato.

Ou, antes, de não colocar animais no prato.


"We are, he suggests, defined not just by what we do; we are defined by what we are willing to do without. Vegetarianism requires the renunciation of real and irreplaceable pleasures. To Foer’s credit, he is not embarrassed to ask this of us," escreve Elizabeth Kolbert, a autora do artigo.

O mínimo que eu posso fazer diante do meu entusiasmo é confessar que vou correndo pedir à Rocco, que publica o Safran Foer no Brasil, para traduzi-lo.

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Atualização do dia seguinte: já pedi e já tive a resposta de que a Rocco está prestes a adquirir os direitos do livro. Adquirindo, serei eu a tradutora.

Poesia sábado: Julio Cortázar

LOS DÍAS VAN

Los días van como las olas y los cantos,
su rubio viento y sus profundos verdes por las horas cambiantes.
En uno de ellos queda una bahía, en otro
un pánico de estrellas o delfines,
mientras un tiempo nuevo y sigiloso
con noches de distinto meridiano
filtra sus cuerdas pálidas por los compartimentos
y se mezscla en el vino que bebemos.
Un viaje, oh dulce pena en la raíz del cuerpo
que juega con sí mismo a ser igual, constante,
y a despertar distinto cada día, bajo cielos novísimos.

*

(de Papeles inesperados)

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

E já que falamos nisso

Á ferð um Ísland...

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Da Islândia

Não, eu não estou lá. Nunca estive. Um dia estarei. Mas descobri Halldór Laxness, o Nobel de literatura (1955) islandês. Pelas minhas pesquisas, ele só tem um livro traduzido no Brasil.


(foto Bob Krist/Corbis)

Estou lendo a edição americana de Heimsljos, traduzida do islandês como World Light. O protagonista do livro, Ólafur Karáson, é um menino adotado por uma família de trabalhadores rurais no interior da Islândia, que rabisca poemas na lama e no gelo e sonha ser poeta quando crescer. Ainda que lhe digam que isso é coisa do diabo e que o único livro que jamais precisou ser escrito é a Bíblia. Quando descobrem suas tentativas poéticas, ele na melhor das hipóteses é ridicularizado, na pior leva uma surra.

Mas cresce e vira um poeta. E mais não sei, ainda.

Laxness (1902-1998) escreveu 51 romances, poesia, peças de teatro, relatos de viagem e artigos para o jornal.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Lévi-Strauss


(De El País, hoje. Foto: Daniel Mordzinksi)

Dedicó toda su vida a explicar y a explicarse el mundo desde la antropología. Y con sus obras lúcidas y sensibles iluminó la Francia de la segunda mitad del siglo XX. Hasta que la madrugada del domingo pasado el filósofo y antropólogo francés Claude Lévi-Strauss, pensador clave del siglo XX, falleció, cuando estaba a punto de cumplir 101 años. Su muerte se hizo pública ayer, y causó una enorme conmoción en Francia, después de que se celebrasen sus exequias en Lingerolles, en la Costa de Oro. “Hace dos años se rompió el fémur; desde entonces estaba muy fatigado, ha muerto de la edad”, aseguró PhilippeDescola, su sucesor en el Colegio de Francia.

Había nacido en Bruselas en el seno de una familia de intelectuales franceses de ascendencia judía. Su padre era pintor. Él se inclinó por la filosofía. Desde 1935 a 1939 residió en Brasil, pasando grandes periodos de su vida alojado en las tribus amazónicas de los bororo y los nambikwara. Esa experiencia serviría para revolucionar para siempre los principios y
los métodos de la antropología.

Tras su estancia en Brasil volvió a Francia. Fue movilizado. En
la línea Maginot, mientras servía como oficial de enlace y como intérprete de inglés, intuyó el secreto del estructuralismo, la ciencia que iba a modificar el estudio de las disciplinas humanas, según él mismo explicó: “Mientras esperábamos una batalla que no comenzaba, observé con detalle cómo, detrás del aparente azar de la belleza de un campo de flores, existía una organización estricta en cada una de ellas”.

Tras la invasión, huyó del régimen de Vichy a Estados Unidos. Allí, en Nueva York, conoció al lingüista Roman Jacobson, cuyo trabajo sobre las lenguas le impresionó. Bajo esa luz nueva ompletó el método estructuralista, el que había intuido en el frente de la II Guerra Mundial. En 1959, ya en Francia, es nombrado catedrático de Antropología Social del Colegio de Francia, cátedra que ocupó hasta su jubilación, en 1982.

Mientras tanto, habían empezado a sucederse obras destinadas a cimentar un pensamiento determinante del siglo pasado: La vida familiar y social de los indios nambikwara, Estructuras elementales del parentesco, los cuatro volúmenes de Mitológicas, El camino de las máscaras y La mirada lejana, entre otros.

En 1954 publicó un libro especial, a caballo entre el estudio científico y el relato de viajes. Se titulaba Tristes trópicos, y en él se descubre a un viajero preocupado ya por la deriva de la destrucción medioambiental del planeta, así como a un escritor lúcido y sensible. En 1973 se convirtió en el primer etnólogo en entrar en la Academia Francesa. Un colega de institución, el escritor Jean d’Ormesson, le definió como “una persona a la que espantaba toda afectación, de una sabiduría interminable”.

El año pasado, para conmemorar el centenario de su nacimiento, Francia le rindió una serie de homenajes que recordaron su altura intelectual. Ayer, toda Francia volvió a recordar a este sabio que vivió un siglo entero y que comenzó su libro más famoso, Tristes trópicos, con una frase célebre: “Odio los viajes y a los exploradores”.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Sigur Rós

"Agætis byrjun" - de "Heima", o documentário que registra a turnê do Sigur Rós pela sua Islândia natal em 2006.

Durante a turnê, o grupo deu dois shows grandes, em Ásbyrgi e Reykjavík, uma série de shows bem menores e fez um concerto-protesto em Snæfellsskála.

sábado, 31 de outubro de 2009

Poesia sábado: (mais) Taha Muhammad Ali

WHERE

Poetry hides
somewhere
behind the night of words
behind the clouds of hearing,
across the dark of sight,
and beyond the dusk of music
that's hidden and revealed.
But where is it concealed?
And how could I
possibly know
when I am
barely able,
by the light of day,
to find my pencil?

*

de So What?, coletânea bilíngue (árabe/inglês) do poeta palestino, com tradução de Peter Cole, Yahya Hijazi e Gabriel Levin.

Tradução para o português de Celina Portocarrero:

ONDE

A poesia se esconde
em algum lugar
atrás da noite das palavras
atrás das nuvens do ouvir,
em meio à escuridão do ver,
e além da poeira da música
que está encoberta e às claras.
Mas onde se oculta?
E como poderia eu
sequer saber
se mal
sou capaz,
à luz do dia,
de encontrar meu lápis?

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