sábado, 7 de novembro de 2009

Eating Animals

O novo livro de Jonathan Safran Foer, Eating Animals, que mereceu um longo artigo na última New Yorker, é uma obra de não-ficção e fala de colocar ou não animais no prato.

Ou, antes, de não colocar animais no prato.


"We are, he suggests, defined not just by what we do; we are defined by what we are willing to do without. Vegetarianism requires the renunciation of real and irreplaceable pleasures. To Foer’s credit, he is not embarrassed to ask this of us," escreve Elizabeth Kolbert, a autora do artigo.

O mínimo que eu posso fazer diante do meu entusiasmo é confessar que vou correndo pedir à Rocco, que publica o Safran Foer no Brasil, para traduzi-lo.

Poesia sábado: Julio Cortázar

LOS DÍAS VAN

Los días van como las olas y los cantos,
su rubio viento y sus profundos verdes por las horas cambiantes.
En uno de ellos queda una bahía, en otro
un pánico de estrellas o delfines,
mientras un tiempo nuevo y sigiloso
con noches de distinto meridiano
filtra sus cuerdas pálidas por los compartimentos
y se mezscla en el vino que bebemos.
Un viaje, oh dulce pena en la raíz del cuerpo
que juega con sí mismo a ser igual, constante,
y a despertar distinto cada día, bajo cielos novísimos.

*

(de Papeles inesperados)

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

E já que falamos nisso

Á ferð um Ísland...

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Da Islândia

Não, eu não estou lá. Nunca estive. Um dia estarei. Mas descobri Halldór Laxness, o Nobel de literatura (1955) islandês. Pelas minhas pesquisas, ele só tem um livro traduzido no Brasil.


(foto Bob Krist/Corbis)

Estou lendo a edição americana de Heimsljos, traduzida do islandês como World Light. O protagonista do livro, Ólafur Karáson, é um menino adotado por uma família de trabalhadores rurais no interior da Islândia, que rabisca poemas na lama e no gelo e sonha ser poeta quando crescer. Ainda que lhe digam que isso é coisa do diabo e que o único livro que jamais precisou ser escrito é a Bíblia. Quando descobrem suas tentativas poéticas, ele na melhor das hipóteses é ridicularizado, na pior leva uma surra.

Mas cresce e vira um poeta. E mais não sei, ainda.

Laxness (1902-1998) escreveu 51 romances, poesia, peças de teatro, relatos de viagem e artigos para o jornal.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Lévi-Strauss


(De El País, hoje. Foto: Daniel Mordzinksi)

Dedicó toda su vida a explicar y a explicarse el mundo desde la antropología. Y con sus obras lúcidas y sensibles iluminó la Francia de la segunda mitad del siglo XX. Hasta que la madrugada del domingo pasado el filósofo y antropólogo francés Claude Lévi-Strauss, pensador clave del siglo XX, falleció, cuando estaba a punto de cumplir 101 años. Su muerte se hizo pública ayer, y causó una enorme conmoción en Francia, después de que se celebrasen sus exequias en Lingerolles, en la Costa de Oro. “Hace dos años se rompió el fémur; desde entonces estaba muy fatigado, ha muerto de la edad”, aseguró PhilippeDescola, su sucesor en el Colegio de Francia.

Había nacido en Bruselas en el seno de una familia de intelectuales franceses de ascendencia judía. Su padre era pintor. Él se inclinó por la filosofía. Desde 1935 a 1939 residió en Brasil, pasando grandes periodos de su vida alojado en las tribus amazónicas de los bororo y los nambikwara. Esa experiencia serviría para revolucionar para siempre los principios y
los métodos de la antropología.

Tras su estancia en Brasil volvió a Francia. Fue movilizado. En
la línea Maginot, mientras servía como oficial de enlace y como intérprete de inglés, intuyó el secreto del estructuralismo, la ciencia que iba a modificar el estudio de las disciplinas humanas, según él mismo explicó: “Mientras esperábamos una batalla que no comenzaba, observé con detalle cómo, detrás del aparente azar de la belleza de un campo de flores, existía una organización estricta en cada una de ellas”.

Tras la invasión, huyó del régimen de Vichy a Estados Unidos. Allí, en Nueva York, conoció al lingüista Roman Jacobson, cuyo trabajo sobre las lenguas le impresionó. Bajo esa luz nueva ompletó el método estructuralista, el que había intuido en el frente de la II Guerra Mundial. En 1959, ya en Francia, es nombrado catedrático de Antropología Social del Colegio de Francia, cátedra que ocupó hasta su jubilación, en 1982.

Mientras tanto, habían empezado a sucederse obras destinadas a cimentar un pensamiento determinante del siglo pasado: La vida familiar y social de los indios nambikwara, Estructuras elementales del parentesco, los cuatro volúmenes de Mitológicas, El camino de las máscaras y La mirada lejana, entre otros.

En 1954 publicó un libro especial, a caballo entre el estudio científico y el relato de viajes. Se titulaba Tristes trópicos, y en él se descubre a un viajero preocupado ya por la deriva de la destrucción medioambiental del planeta, así como a un escritor lúcido y sensible. En 1973 se convirtió en el primer etnólogo en entrar en la Academia Francesa. Un colega de institución, el escritor Jean d’Ormesson, le definió como “una persona a la que espantaba toda afectación, de una sabiduría interminable”.

El año pasado, para conmemorar el centenario de su nacimiento, Francia le rindió una serie de homenajes que recordaron su altura intelectual. Ayer, toda Francia volvió a recordar a este sabio que vivió un siglo entero y que comenzó su libro más famoso, Tristes trópicos, con una frase célebre: “Odio los viajes y a los exploradores”.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Sigur Rós

"Agætis byrjun" - de "Heima", o documentário que registra a turnê do Sigur Rós pela sua Islândia natal em 2006.

Durante a turnê, o grupo deu dois shows grandes, em Ásbyrgi e Reykjavík, uma série de shows bem menores e fez um concerto-protesto em Snæfellsskála.

sábado, 31 de outubro de 2009

Poesia sábado: (mais) Taha Muhammad Ali

WHERE

Poetry hides
somewhere
behind the night of words
behind the clouds of hearing,
across the dark of sight,
and beyond the dusk of music
that's hidden and revealed.
But where is it concealed?
And how could I
possibly know
when I am
barely able,
by the light of day,
to find my pencil?

*

de So What?, coletânea bilíngue (árabe/inglês) do poeta palestino, com tradução de Peter Cole, Yahya Hijazi e Gabriel Levin.

Tradução para o português de Celina Portocarrero:

ONDE

A poesia se esconde
em algum lugar
atrás da noite das palavras
atrás das nuvens do ouvir,
em meio à escuridão do ver,
e além da poeira da música
que está encoberta e às claras.
Mas onde se oculta?
E como poderia eu
sequer saber
se mal
sou capaz,
à luz do dia,
de encontrar meu lápis?

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Da nevasca


A neve conspira com o deserto. As coisas perdem os ângulos de seus contornos e o céu inteiramente branco gruda no telhado inteiramente branco, fazendo coincidir dois mundos, anulando distâncias. Existe nisso algo de sonho unificador, como um esperanto. Já não há cores. Tudo é o silencioso acúmulo da neve que cai pequena e incessante, tenaz como a morte conquistando um corpo. Mas estamos vivos, e dentro de casa o conforto e o calor parecem um prodígio. Ou um insulto.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Garbage Path

Guido Cavalcanti criou esta imagem sobre a vasta área do Pacífico que virou um colossal depósito de lixo. Feita com Ultra Fractal, a imagem está publicada no Orbit Trap, onde é possível ler mais sobre o trabalho de Guido. E sobre a tragédia que o inspirou.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Parangolé

De Marília Librandi Rocha, na Sibila, texto-homenagem a Hélio Oiticica:

"Ladrão do fogo para inflamar o desejo de uma nova ordem das coisas é como Waly Salomão definiu Hélio Oiticica e sua obra metamórfica, que se incendiou quase integralmente no Rio de Janeiro (na noite do dia 16 de outubro), para terror de todos os que a amamos como se ama uma pessoa viva.
Queimou como o fogo dos tiros à queima-roupa que mataram mais de trinta pessoas no Morro dos Macacos no Rio nesta semana. Queimou como a favela em São Paulo, que uma semana antes ardeu em chamas deixando centenas de pessoas sem suas casas-abrigo. Como elas, o coletivo Brasil está hoje desabrigado, porque a obra de Hélio é parte estrutural da fundação de nosso universal-diferencial no mundo.

Quem vai fazer um bólide homenagem ao Cara que Cavalgou o mito em pelo, como diz o verso de Murilo Mendes?"

(leia o resto aqui.)

sábado, 24 de outubro de 2009

Poesia sábado: Taha Muhammad Ali

WARNING

Lovers of hunting,
and beginners seeking your prey:
Don't aim your rifles
at my happiness,
which isn't worth
the price of the bullet
(you'd waste on it).
What seems to you
so nimble and fine,
like a fawn,
and flees
every which way,
like a partridge,
isn't happiness.
Trust me:
my happiness bears
no relation to happiness.



De So What, seleção de poemas (1971-2005) do palestino Taha Muhammad Ali em tradução de Peter Cole, Yahya Hijazi e Gabriel Levin. Em edição bilíngue, para a gente pelo menos se maravilhar com a beleza plástica do idioma árabe (e lamentar, como eu, não conseguir entendê-lo).

Estou fascinada pela poesia de Taha Muhammad Ali, que conheci graças ao generoso empréstimo desse livro pelo Eli Gottlieb.

Uma tradução do poema acima seria, de acordo com Celina Portocarrero (ela me mandou sua proposta e substituo pela minha apressada e descompromissada tentativa, que havia postado aqui antes):

AVISO

Amantes da caça
e aprendizes em busca de presa:
Não apontem seus rifles
para a minha felicidade,
que ela não compensa
o preço da bala
(seria um desperdício).
O que lhes parece
tão ágil e belo
quanto a corça,
e corre,
por toda parte,
como a perdiz,
não é felicidade.
Creiam:
minha felicidade
em nada se assemelha à felicidade.

(foto: Nina Subin)

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Vinis mofados

É o nome do livro de poesia que Ramon Mello lança pela Língua Geral amanhã no Rio. Vai ser às 19:30 no brechó De Salto Alto, no Shopping dos Antiquários (Siqueira Campos, 143, sl 44 - Copacabana).

(Foto - bonita! - do Ramones pescada na revista O Grito)

domingo, 18 de outubro de 2009

Poesia ponto

De Marília Garcia, em 20 poemas para o seu walkman.
(o sábado foi apoético)

UMA MULHER QUE SE AFOGA

ruído da chuva
e uma lâmpada elétrica
acende a única janela do alto
naquela cidade destruída, na beira da cama,
de branco, esperou meses para abrir o livro de
notas achado num café. "quando acredita que
a chuva vai passar?"

(mas queria dizer em que
pensa? queria dizer até quando?
queria dizer outra coisa)

de dentro do quarto
gris, apenas o contorno
ao redor dos objetos que
desmaiam um de cada vez e trocam
de lugar enquanto você espera. a luz do poste
filtrada pelas cortinas tem a forma de um quadrado
radioativo (poderia ser um wet dream que
me faz trocar os dias da semana?)

devemos ir, foi a última coisa
que falou com sua capa-de-
chuva e um bote salva-
vidas.


Waking Life

De tempos em tempos volto a este filme.

O domingo terminou com a trilha sonora, no carro. Obrigada a Malcolm e Erô pelo CD.

Aliás, muito, muito obrigada a Malcolm e Erô: não é todo mundo que chega em casa de viagem num sábado à noite e encontra no correio uma caixa contendo dois presentes: um livro do David Foster Wallace - "This is Water" - e um DVD do Sigur Rós.

Sobre "This is Water" escrevo mais aqui em breve.

sábado, 17 de outubro de 2009

De Nueba Yol




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